EM CARTAZ, A HISTÓRIA DO OUTDOOR

Os modernos anúncios percorreram um longo caminho até chegar ao estado de apuro e sofisticação, como hoje os conhecemos. Surgiram de uma necessidade de se apregoar artigos os mais diversos, postos à venda nas feiras medievais, depois renascentistas. Ganharam força na boca dos vendedores ambulantes, no pregão dos camelôs, na improvisação dos primeiros cartazistas. Foram parar estampados nas revistas, subiram os estribos dos bondes:
"Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado; no entanto acredite, quase morreu de bronquite; salvou-o o Rhum Creosodato". Quem não se lembra deste anúncio, um dos mais famosos, que percorreu gerações e que andava afixado nos velhos bondes?
O filho mais famoso e discutido do anúncio é o outdoor. Porém, muito antes disso tudo, sobre a forma de livretos o cartaz já chegava às mãos do público,anunciando óperas e concertos renascentistas.
Poder-se-ia dizer que Toulouse Lautrec foi um dos percursores do anúncio, no século passado. Retratando cenas de Moulin Rouge, dos “Bas-fonds”, captando aspectos da vida parisiense, foi ele um dos inovadores de um estilo que tornou-se, mais tarde, “ a alma do negócio”.
Através de folhetos,anúncios,reclames em revistas,jornais,publicações, no período de transição do século passado para este, foi surgido lenta e timidamente uma nova indústria que atingiria dimensões nunca dantes imaginadas: a indústria da propaganda e publicidade.
O cartaz ganhava formas, se adaptava à situações e necessidades da época.
Era o cidadão que andava pelas ruas com 2 placas de madeira penduradas nos ombros, anunciando a chegada de algum artista internacional famoso, de um circo, coisas assim. Havia o rádio também, naquela época.
O início da propaganda no Brasil foi difícil. Começa que o Cliente, então chamado “freguês”, achava que seu produto não necessitava de propaganda.
Que se vendia pela qualidade. O consumidor tinha mais tempo para examinar e analisar o produto antes de comprá-lo. Não havia ainda sofrido a pressão de tantos veículos de comunicação.
Havia a mentalidade que “produto que necessitasse de propaganda pra ser vendido não prestava”. Ser corretor de anúncios era meio ousadia, meio aventura; os anunciantes já os recebiam com reservas e antipatia, quase sempre declarada. Sugerir propaganda para um produto era o mesmo que dizer que este não valia nada.
Foi nas estradas de rodagem que os primeiros visionários do universo abrangente da publicidade começam a espalhar seus cartazes, aliás “ reclames”.
Mais estradas, mais carros, mais reclames.Os “fregueses” tornaram-se clientes. Os “reclames” anúncios. Estes, agora painéis sempre maiores, luminosos e iluminados, ora piscando,ora parecendo mexer-se, cada vez mais bonitos e originais multiplicavam-se.
Desde o reclame até o outdoor, a função do anúncio, não obstante sua diversificação, tem sido apresentar uma mensagem, de modo a ser vista, lida e entendida num relance.
A boa mensagem de outdoor é aquela que dá seu recado em poucas palavras. Poucas e boas.
Deve ter uma linguagem rápida, direta, original. Agradar no visual. Provocar desejo, expectativa, humor, convicção. O outdoor põe mensagem no olho da rua. No olho de quem passa, de que pára, de quem conversa, de quem freia. No olho de quem vê. É o universo vivo de informação,cores e promessas renasce e se renova a cada 15 dias. É só olhar pela janela...


A HORA E A VEZ DO VEÍCULO DOS VEÍCULOS
Eis algumas vantagens que o outdoor oferece ao anunciante:
O resultado do trabalho do Instituto Gallup de pesquisa pesa muito a favor da imagem do outdoor como veículo de comunicação de massa por excelência.
Na realidade, 7 de cada 10 pessoas adultas estão expostas ao cartaz de rua.
Outro aspecto importante: 4 pessoas em cada grupo de 10, admitem que o cartaz de rua exerce atração freqüente.
Outras 3 pessoas consideram que a atração é esporádica. Outro detalhe importante: o cartaz na rua não é apenas visto, mas sua mensagem é lembrada. A pesquisa revela que 6 pessoas, em cada grupo de 10 e tendo mais de 15 anos de idade, são capazes de reconstituir o anúncio do cartaz.
As empresas de outdoor,anunciantes, agências de propaganda têm a preocupação com a parte estética do outdoor, porque não lhes interessa enfeiar a cidade, exibindo peças de mau gosto.
Quem passa pelas ruas vê logo que outdoor, longe de contribuir para a poluição visual, muitas vezes até neutraliza a feiúra de um terreno baldio. Nas campanhas comunitárias o outdoor também aparece, atuando como elemento importante na mobilização de grandes camadas da população.
Para chegar à posição de veículo respeitado, o outdoor firmou-se pelo desenvolvimento de suas qualidades. O equipamento é moderníssimo e todo o trabalho é integrado. Depois é a distribuição, que as empresas têm condições de realizar, em mais ou menos 48 horas, para todos os grandes centros do país.
A importância do outdoor é tamanha que empresas, para reforçar sua imagem de marca, destinam parte de sua verba para outdoor.
Por aí se pode notar a confiança nesse veículo, certamente o mais antigo dos veículos de comunicação de massa.
(artigo escrito pela Central de Outdoor do Rio de Janeiro, década de 70)