Esta exposição apresenta através de painéis com mais
de 600 peças publicitárias, um pouco da História
do Brasil e dos brasileiros. Afinal, falar dos 500 anos da Propaganda no Brasil é falar
de nossos hábitos e costumes,

da vida pública e da vida privada. É falar
também do crescimento da economia e da industrialização,
da moda, tendências e dos sonhos do consumidor. Mas, principalmente dos
sonhos de todos os brasileiros.
Uma visão do projeto
Pero Vaz de Caminha e sua carta ao Rei D. Manuel, o Venturoso, de Portugal. Assim
nascia a propaganda brasileira e, por parte do Brasil e dos brasileiros, um exercício
permanente de marketing para escapar ao destino que Cabral lhe reservou: ser
colônia.
De nossos índios - que pintavam papagaios para vendê-los como araras,
lesando o "consumidor" europeu, desprotegido de códigos ou leis
- até nossos camelôs - que "correm atrás" de novidades
e oportunidades, vale tudo quando se trata de "vender" uma idéia
ou produto. Ou seja: no Brasil, a propaganda está no sangue. Mascates,
ambulantes e tropeiros foram os primeiros vendedores, pioneiros das vendas por
telefone, catálogos e Internet. Com chuva e sol, calor, subindo rios e
montanhas, atravessando matas, de barco ou em lombo de mula, a mercadoria era
entregue nas mãos do freguês. Naquela época ninguém
era cliente, era freguês mesmo.
O sistema, eficiente, prosseguiu até a década de 50. Por meios
de transporte mais modernos, bolsas, tecidos importados, coisas da China e da
Ilha da Madeira eram levados aos lares brasileiros onde donas-de-casa, as maiores
consumidoras do País, compravam em sistema de crediário em que
valia a honra e a palavra. Nada de SPC. No Brasil colonial, a propaganda de
boca mostrou ser

tão eficaz quanto panfletos colados nos postes ou nas
portas, que faziam a glória ou a ruína de qualquer um. E é com
Tiradentes, com seus panfletos, seus cartazes e seus "santinhos" que
o Brasil conhece a primeira campanha política para a Independência.
Sem a força da TV, do rádio, sem "marqueteiros" e sem
saber o que era Comunicação, Tiradentes e suas idéias
chegaram a todos os lares brasileiros. No final, o Brasil levou a melhor: o
político foi enforcado mas o País se tornou independente. Com
a vinda de D. João VI em 1808 e a criação da Imprensa
Régia, a colônia vira Reino e "civiliza-se". Enfim,
o jornal. Oficial, é verdade, porque o primeiro foi criado em Londres
por Hipólito da Costa, em 1806. Clandestino, de oposição,
o "Correio Braziliense" com "z" mesmo foi proibido de circular
no Brasil. Só com a criação da Imprensa Régia é que
surge a "Gazeta do Rio", ainda em 1808. E depois dela, os anúncios.
Jornal, classificados, agência de propaganda. Este trio poderoso entra
em cena em 1891, com a criação da "Empresa de Publicidade
e Comércio". Os anúncios eram uma espécie de classificados
de maior tamanho. E os grandes anunciantes, os remédios, fortificantes
e elixires, prometendo vigor e o bem estar das senhoras. No início do
século, o Rádio revoluciona a vida brasileira. O rádio
trouxe os jingles, a imaginação e o sonho para a vida brasileira.
Ouvir "Jerônimo, Herói do Sertão" ou o "Direito
de Nascer" pelo rádio foram experiências, segundo nossos
avós, fascinantes. E a voz lânguida da mocinha, que todos imaginavam
linda, loura e usando Pond's? Estamos no início dos anos 50, época
da Rádio Nacional, dos programas de auditório, das disputas de
Emilinha e Marlene e dos Fãs-clubes organizados, apelidadas pelos cariocas
de "macacas de auditório".
Nos anos dourados, em que uma entre dez estrelas do cinema usavam Lux, a IAS,
house-agency da Sydney Ross era a maior agência do País. Antes
da criação do outdoor, a mídia era feita em jornais,

revistas, no rádio e nos bondes. Os cartazetes colocados nas laterais
internas dos bondes foram extremamente criativos.
Uma prova
"Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro que está ao seu lado.
No entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rhum Creosotado."
Outra mídia importante eram as revistas, sendo que a maior delas foi "O
Cruzeiro", que chegou a vender 700.000 exemplares.
A Segunda Guerra acabou com a festa. Elvis Presley já não era
o mesmo depois que se alistou no exército, mas o rock e a Coca-Cola
faziam parte da vida de milhares de jovens de topete, rabo de cavalo, sapato
bicolor e meia soquete no mundo inteiro. No Brasil, 1950 marca a chegada da
televisão que, como o rádio, revoluciona a vida brasileira. A
TV Tupi apresentava "Espetáculos Tonelux" e a garota-propaganda
era Neide Aparecida.
A Xuxa da época era a vedete Virgínia Lane em programa infantil,
no qual saía de dentro de uma árvore vestida de coelho e cantando: "Eu
sou o coelhinho da Phillips ..."
Com o videotape, muda a televisão, mudam os comerciais, muda a propaganda.
A "Idade da Inocência" ou Anos Dourados, como eram chamados
os anos 50, foram varridos pela pílula anticoncepcional, pela revolução
sexual, pela guerra do Vietnã, pelos hippies, maio de 68 e pela contra-cultura.
Esses sim, para quem viveu, foram os anos dourados. Sem Aids, sem medo de engravidar,
sem lenço nem documento.
O que veio em seguida, no Brasil, não teve graça nem glamour.
Os "Anos de Chumbo", como foram chamados os 20 de ditadura, marcaram
até hoje a vida do brasileiro.O grande anunciante era o governo. Don
e Ravel cantavam "Ninguém Segura Este País". Os carros
circulavam com

o adesivo "Brasil. Ame-o ou Deixe-o", um recado bem
claro para quem não se enquadrava no esquema da época. Época
do boom da Bolsa e seus rapazes de gravatas largas, boom da classe média, época
do milagre brasileiro.
Nos anos 70, entretanto, deu-se também o boom das telecomunicações
e da Comunicação, profissionalizando um mercado criativo mas
amador. As rádio FM conquistam um público impressionante. Via
Embratel, a TV a cores muda mais uma vez a propaganda. Na mídia impressa,
o off-set e rotogravura abrem caminho para o padrão de qualidade na
propaganda.
Até o final dos anos 80, a propaganda brasileira passa por várias
transformações: as duplas de criação que surgiram
nos anos 70 passaram a trabalhar em equipe, numa espécie de agência
sem paredes, que integrou Mídia, Planejamento e Criação.
O fim das grandes campanhas institucionais governamentais e a retração
do mercado definiram o perfil da nova agência de propaganda: a full
service. Nesta década, o Brasil começa a marcar presença
nos festivais publicitários internacionais. A propaganda se auto-regulamenta,
com base na ética e no respeito ao consumidor, mais exigente e crítico.
A partir do final dos anos 80, a propaganda é bombardeada por todos
os lados. E divide sua

importância com o Merchandasing, a Promoção,
e Assessorias de Comunicação. Por outro lado, os bureaus se
firmam no mercado: bureaus gráficos e bureaus de mídia. A Internet
conquista seu espaço como mídia. As TVs por assinatura tiram
o espectador dos canais abertos. Com a computação gráfica,
efeitos especiais substituem a falta de idéias. É o fim? Não.
Apenas o começo de uma nova etapa.
Cinco séculos de propaganda são cinco séculos de Brasil.
Um registro de nossos produtos, hábitos e comportamento. Um registro
da moda, da política e da economia. Cinco séculos de história
e sonhos, refletidos em panfletos, cartazes, jingles, anúncios e comerciais.
Cinco séculos de idéias, bordões e personagens que invadem
o cotidiano. E que contam, a seu modo, a vida e a História do povo
brasileiro.
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